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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ana Vitória Só Quer Um Livro!




Levei minha mãe para fazer EEG no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, e os exames eram realizados em um centro de exames chamado Epicentro. A etimologia da palavra nos remete ao lugar onde os terremotos se iniciam. Que nome... uauu... Certamente que muitos terremotos internos e familiares devem ter começado nesse lugar. Mas o que quero falar mesmo é sobre a observação que fiz de duas pacientes que aguardavam atendimento. Uma, Ana Vitória, aproximados 8 anos era extremamente irrequieta, mexia em tudo e era duramente repreendida com gritos pela avó e pela mãe. A pequena levantava e imediatamente a avó gritava: Senta ANA VITÓRIA! Eu estou mandando você sentar. AGORA! A menina tentava em vão explicar que queria apenas pegar um livro ou revista, mas tanto a avó quanto a mãe ignoravam os apelos da menina. Saíram para a realização do procedimento praticamente arrastando a criança e não mais as vi. Em seguida, entrou no recinto uma mãe e uma criança também para fazer o exame. Essa criança também parecia precisar de cuidados especiais... a diferença era a maneira como ela era tratada. A mãe carinhosamente lhe explicava que deveria fazer um exame e lhe disse com palavras doces que iria tomar um remedinho para dormir e que assim o exame iria acontecendo sem que nenhuma das duas fizesse nada. A menina ficou um pouco apreensiva e a única coisa que pediu: que a mãe ficasse ao seu lado durante todo o procedimento, ao que a mãe docemente disse: o exame vai demorar, mas aconteça o que acontecer, não sairei do seu lado. Pensei nessa criança que nem sei o nome e na outra que só sei o nome porque tanto a mãe quanto a avó não tinham paciência para conversar com a menina e gritavam seu nome o tempo todo. A seguir entrou outra paciente, essa com dificuldade de locomoção, fala e coordenação... ficava o tempo todo no colo do pai que a tratava com um amor e carinho também notáveis. Que dó da Ana Vitória, além de ser portadora de uma doença que a diferencia, ainda tem que contar com a intransigência e falta de paciência das suas cuidadoras. Que vontade de gritar com elas e dizer: Por favor... Prestem a atenção, a Ana Vitória só quer pegar um livro.

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