Para
que duas pessoas possam dançar é necessário mais que desejo. É
necessária uma vontade de estar junto. De ser par. Parceiro. É
necessário um entrosamento. Um combinar de passos. Para se dançar de
qualquer jeito, tudo é válido. Mas para dançar bem... Ah.. daí a coisa é
diferente. O homem tem que conduzir a mulher, mas conduzi-la com
doçura. Não impondo, apenas “guiando”. A mulher tem que fazer-se
submissa. Terna. Receptiva ao comando. Os movimentos devem ser
cadenciados. Ritmados. Se houver uma penumbra, melhor. Mas nada que
enegreça demais o ambiente. Nada que torne o ato pesado. Devem existir
cheiros agradáveis nos ar. Quem sabe prenuncio de mistura de odores. De
líquidos. Não muito apressado. Não muito lento. Na cabeça: Nada. No
coração: Tudo. Como na canção do Roberto: “braços que se abraçam. Bocas
que murmuram. Palavras de amor. Enquanto se procuram”. Não se pode
dançar com qualquer um. Não se pode eleger qualquer “partner”. O par tem
que ser escolhido a dedo. Detalhe: Não pode ser o “dedo
podre”. Não me diga que não sei dançar. Não me diga que não sabe
dançar. Não me deixe sozinha no salão. Não me deixe dançar com qualquer
um. Não pise no meu pé. Não pise em mim. E principalmente: Não diga que
não quer dançar comigo!

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