No carro, eu e meu irmão buscamos nosso "quase" irmão Dimas na rodoviária e na volta, paramos na padaria para pegar um pãozinho quentinho para os que estavam em casa. Na casa da nossa mãe já tinha um "montinho" de gente. Porque estavam lá?? Minha mente não entendia esse ajuntamento. Meu cérebro não processava as informações, meus ouvidos não queriam ouvir a verdade. Meus pensamentos voavam, divagavam. A moça me olhou e perguntou: Quantos pães? Francês? Pedi 20. Pra que tanto? Para alimentar as pessoas que não se reuniam há anos, pensei. Meus olhos atentos procuravam no grande balcão algo específico... Achei! Moça, me dá uma empadinha de palmito. De repente, falei: Desculpe, não vou levar mais. Não comentei o motivo com ela: A empadinha de palmito era para minha mãe, mas como num sopro, lembrei que a minha mãe não estaria em casa pra receber a empadinha, nem naquele dia, nem nunca mais.
Coisas de Lu
Particularmente particular...e o que é particular? Na verdade, sempre somos "públicos". Venha... Entre sem cerimônia. Aqui poderemos falar sobre o que você quiser e até, quem sabe, nos tornarmos amigos (as). Aviso: Sem envolvimento emocional ou financeiro! *risos* Bem vindo(a) ao meu pequeno grande mundo. Lu de Oliveira *Migrado do Feia, Pobre e Burra
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Eu não tinha boa aparência.
Eu não tinha boa aparência. Quando eu era mocinha, isso há décadas e décadas atrás, quando comecei minha vida profissional, as coisas eram bem difíceis, pelo menos para mim. Eu ia a pé da casa da minha mãe até o centro, mais ou menos 4 km. Com o dinheiro do transporte, eu comprava um jornal, a Gazeta do Povo. Olhava nos classificados e circulava aqueles anúncios em que eu achava que teria alguma chance: balconista, vendedora, auxiliar administrativo, auxiliar de qualquer coisa e outras que se encaixassem na minha experiência e escolaridade — e olha que eu não tinha nem uma coisa nem outra. Eu já chegava ao local suada e cansada. As candidatas já me humilhavam, mesmo em silêncio. Cabelos sedosos, pele hidratada, unhas feitas e roupas da moda. Inúmeras vezes olhei a fila e pensei: “Aqui pra mim não vai dar”. Na fila, as moças bonitas e mesmo as que não eram “tão bonitas”, mas estavam impecáveis, estavam confiantes na possibilidade de serem escolhidas para a segunda etapa: a tão temida entrevista. Era raro eu chegar à segunda fase. No tal critério “boa aparência”, eu já era eliminada logo de cara. Os recrutadores, na sua maioria, eram educados e gentis. Pegavam o currículo e diziam assim: “Colocou o telefone de contato?” “Sim.” “Então, se você passar para a próxima fase, será comunicada.” Nem sei quantas vezes saí do lugar chorando. Então eu me recompunha e ia para o endereço seguinte. Ia andando, por isso só selecionava vagas no centro, onde eu teria facilidade de locomoção. Outras vezes eu passava na primeira fase e empacava na segunda: eu chorava nas entrevistas. Juro por Deus. Eu cho-ra-va! Tinha medo de não passar e não passava. Falava das minhas dificuldades familiares e financeiras, dos meus problemas pessoais e, aos prantos, dizia que eu precisava muito da vaga. Eu imaginava que o entrevistador ficaria compadecido da minha situação e me contrataria. Não era isso que acontecia...Várias vezes ganhei um copo de água com açúcar e fui despachada, depois de ser consolada com frases motivacionais e outras do tipo: “Quando formos chamar, você será uma das primeiras”. Houve vezes em que ganhei um trocadinho para o ônibus, que eu pegava aos soluços. Se já fosse de tarde, eu voltava para casa; se não, pegava o jornal e ia para a próxima vaga, prometendo a mim mesma que não choraria. Mas eu sempre descumpria a promessa.
Cegueira Temporal
Com carinho,
Da Minha Fruteira Chamada VIDA
Resolvi abrir hoje a minha fruteira.Não aquela da cozinha, com banana e mamão. Mas a outra, a que a gente carrega no peito e que se chama VIDA.Fui tirando de dentro dela umas lembranças, umas pessoas, uns tempos que passaram e eu não vi passar.Separei três. Três frutas, três histórias, três pedaços de mim.Tem a história das pessoas que são frutas e nos alimentam. Tem a história da mocinha que ia a pé atrás de emprego e chorava nas entrevistas. E tem a cegueira do tempo, que quando a gente pisca, já entardeceu. Deixo aqui para vocês, com todo o meu carinho. Que vocês se encontrem um pouquinho em cada uma delas.
Com amor,
Lu de Oliveira
Todas as Capas
Todas as Capas
Em dias de chuva, uso capa,
Em dias de sol, também uso capa,
Capas: Tudo hoje parece ter capa.
Vejo pessoas com capas,
Vejo a vida com capas,
As capas, todas as capas...
Elas não deixaram que eu sentisse
A chuva suave e o sol brilhante,
Nem as pessoas como elas são.
Agora, eu também criei minha própria capa.
Já não vejo mais nada, nem ninguém.
E você? Tem sua capa?
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Solidão Aqui Não!
Solidão Aqui Não
Não me fale em solidão…
Como poderia ser só quem nasce aqui,
Sabendo ter o maior rio do mundo como quintal?
Não me fale em solidão…
Como poderia ser só, quem ouve dia e noite
A floresta que “grita” com seu silêncio profundo?
Não me fale em solidão…
Como aceitar ser só, quem tem milhões de
Pássaros, livres, que insistem em não “calar” seus bicos?
Não me fale em solidão…
Como ser só tendo todos os fantasmas da nossa
Ancestralidade preenchendo todo e qualquer vão da finitude?
Não me fale em solidão…
Se você se descobriu do Norte e sabe o que é ter
Uma Amazônia no peito e um sol brilhante no horizonte.
Não me fale em solidão…
Principalmente se estás no Amapá, porque aqui essa
Palavra simplesmente não resiste, não insiste, não existe.
Das Dores que Só eu Sei
* Imagem Internet
Das dores que só eu sei
Tive dias de tempestade
Daqueles que o céu claro fecha em escuridão
Abria a porta e a tristeza me recebia
Abria a janela e a solidão me dizia: Oi
Há quem conhecia minha dor
Ria do meu pranto, me desprezava
Me acusava do que eu não sei
Me jogava no abismo: ali eu ficava: Só e triste
Foram dias de amargura
De um chorar sem fim
De um sentimento de rejeição
Que marcaram minha alma e abriram chagas profundas
Mudei minha vida e meu jeito de ser
Esqueci tudo que aprendi sobre amizade
Refiz conceitos, recriei rótulos
E me isolei. Me fechei para o mundo
Hoje sou solitude. Sou profundidade
Sou inacessível. Uma concha fechada
Alguém que espera a cura.
A esperança.
O esquecimento.






