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quarta-feira, 3 de junho de 2026

A Menina Virgem




                                                                                                                                          
A menina ainda era virgem. Ia a pé para o trabalho. Tinha 16 anos. Em outros tempos, nessa idade, as carteiras já eram assinadas e as meninas, quase mulheres, já podiam ter a sua “independência financeira” e os mesmos direitos das mulheres adultas. Tinham ainda o “direito” de serem desrespeitadas por patrões bonzinhos, que além de lhes dar o emprego, sempre queriam dar e receber “algo a mais”. Um dia, a menina foi abordada na rua por um homem de “carrão”. Um Diplomata azul, da marca Chevrolet. Novinho. Carro de luxo dos anos 80. O homem era um senhor bem apessoado aparentando uns 40 anos. Embora educado, sorridente e muito bonito,  para a menina, já era um homem bem “velho”. Ele ia ao lado da menina… O carrão, acompanhando aqueles passos curtos, chamava a atenção de outros homens que talvez, já tivessem visto a menina virgem passar por ali. E lá ia o homem falando pela janela aberta, braço para fora, todo galante e gentil. O homem, depois de muitas perguntas, ofereceu “carona” na saída para a menina. A menina aceitou. Depois, alguém viu a atitude do homem e alertou a menina: Esse homem é muito rico, tem uma loja muito grande de materiais de construção. É casado. Dizem que é gay. Nessa época,  surgiam os primeiros casos de AIDS, e falavam que,  você podia “pegar AIDS” só de encostar na pessoa. A menina virgem “se pelou de medo”.  A menina virgem crescia sem cuidados atentos de mãe e não tinha pai. Quem iria protegê-la se alguma coisa desse errado? E se a situação saísse do controle? Logo a menina imaginou-se presa dentro do carro. O homem “velho”, tentando lhe beijar a boca. Ávido, tentando acariciar seus seios. Querendo o seu tesouro mais valioso. Um pavor se acendeu na menina. Ela ainda era virgem. Ao sair do trabalho, 18h em ponto, a sagrada hora do Angelus, ou a hora da Virgem Maria, o homem estava lá,  e depois de esperar por mais de 40 minutos, sem que seu  “predador” desse sinal de ir embora,  a menina teve uma ideia: Pulou o muro dos fundos. Fugiu como um pequeno bichinho que foge de um malvado caçador. O muro era alto e ela se jogou com tudo! Machucou-se um pouco. Caiu numa capoeira.  Ela era uma menina virgem, quase mulher, mas ainda era uma menina. A menina chegou em casa tarde. Ninguém para perguntar o que aconteceu. Ninguém curioso no motivo do atraso. Como quem conta um conto aumenta um ponto,  o homem mais velho, ludibriado pela menina virgem, caiu em “bocas de Matildes” e  foi motivo de piada por um bom tempo. Embora essa não tenha sido a intenção da menina, talvez o velho “lobo” tenha aprendido uma lição. Ah.. e a menina? A menina, quase mulher, continuou virgem até quando quis., ah… O homem mais velho, ludibriado pela menina virgem, caiu em “bocas de Matilde” e  foi motivo de “piadinhas” por um bom tempo, embora essa não tenha sido a intenção da menina. Talvez o velho “lobo” tenha aprendido uma lição. Ah.. e a menina? A menina quase mulher, continuou virgem até quando quis. Eu sou a menina.
                                                                                                                                          *Imagem Internet

Minhas folhagens.

 



Quem me conhece bem a fundo sabe que sou uma mulher que ama as folhagens, Gosto das flores também, mas me encanta a facilidade para cuidar da maioria das folhagens. Quase que em regra, elas só precisam de boa terra e rega correta. Se você esquecer de molhar um dia, elas não morrem. Faço uma comparação, rasa, admito, com as pessoas. Tem gente que é folhagem. Simples de manter a amizade. Não exige que a gente “pise em ovos” pra falar. Se você não fala hoje, elas não ficam com raiva. Se você esquecer de responder no Whatsapp, ela não vai te cobrar e te bloquear, ou deixar de te convidar para um evento. Amigos “folhagens” também são coloridos, são cheios de vida e trazem tanta beleza quanto as flores. E por falar em flores… Tem amigos que são como flores raras e delicadas. Basta um pouquinho de sol a mais e elas murcham. Se foi muita água, apodrecem, se foi pouca, secam. Assim são as pessoas “flores raras”, ou chamadas também de alecrim dourado. São pessoas de difícil trato. Melindrosas. Cheias de não me toque e uma palavra “mal dada” ou mal entendida por ela, já é motivo para rompimento da amizade. Por muito pouco ela se estressa e “se vira a cara” pra você, já era. Sejamos leves queridos. Daqui nada se leva. Somos todos passageiros. Quando você passa por um momento de grave doença sua ou da família, você começa a refletir na brevidade da vida. No quanto somos fortes e ao mesmo tempo, muito frágeis. A vida é uma centelha que em milésimos de segundo pode se apagar. Estou em uma nova fase da vida: Novo local de trabalho, aprendendo coisas novas e pasmem… Trabalho com um monte de folhagens! Sou a primeira e única mulher a trabalhar no setor, então, tudo para mim e para eles é novo. Eu sou folhagem. Não sou do tipo que requer muitos cuidados e me adapto a qualquer solo. Mas cuidado! Tem folhagens extremamente venenosas se tocadas ou ingeridas. Entendedores entenderão. 03/06/2026



segunda-feira, 3 de junho de 2024

Avesso ImPerfeito



Estou aprendendo a bordar meu amor. 

Venha ver.

Alguém me disse, que o avesso do bordado tem que ser perfeito.

Não no paninho do meu bastidor!

O avesso do meu bordado é como enxergo a vida: Bem imperfeito. 

No avesso, estão meus erros, meus nós. 

Lá estão minhas histórias que não deram certo. Àquelas, sabe, que tiveram final infeliz.

No baú do avesso, estão minhas coisas “tortas”.

Àquelas que quero esconder, até de mim.

Meu amor, se queres saber dos meus segredos, não indague de ninguém...

Simplesmente, olhe o meu avesso. 

Do meu lado bonito, todo mundo dá notícias. 

Venha meu amor, conheça meus emaranhados. 

Não tenha medo. Perceba meus nós. 

Minhas pontas soltas. Pode olhar. Pode tocar. 

Pra você eu mostro. Você diz que me ama.

Você sabe o quanto meu avesso foi importante na construção do que as pessoas gostam de ver hoje.

Meu avesso fez surgir e brilhar os pontos trabalhados.

Vem amor, olha lá no lado direito, vês o desenho colorido graciosamente formado? Agora, é o que importa.

Olha..  É um paninho meu amor!

Um paninho bordadinho com florzinhas... 

Um paninho, para enfeitar a prateleira do seu coração.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Amigos e amigos

 


Amigos e amigos

Tenho vivido experiências tristíssimas com amigos. Pessoas que eu considerava Amigos e agora eu vejo que eram apenas amigos. Eu sempre tive muita dificuldade em fazer essa distinção, mas agora, depois de “velha” parece que a ficha está caindo para mim. Vivo num mundo que acho que só existe eu. Acredito em Papai Noel, fada, gnomos e em todas as pessoas que se aproximam de mim e dizem que são meus amigos. Sempre sofro com isso. Apanho e não aprendo. Minha mãe fala que eu pareço ‘mulher de malandro”, eu sei que essa frase é horrível… Eu sei… É sexista e normaliza a violência doméstica, mas minha mãe fazia um paralelo às minhas turras com as “amigas”… Acho que na verdade eu toda vida fui assim. Agora, só agora, depois de “véia”, talvez eu esteja criando vergonha na cara. Talvez. Minha mãe é a rainha dos ditados. Ela diz que: “burro velho não aprende a puxar carroça.” Hoje pensei muito sobre isso… Não sobre as amigas, sobre o burro mesmo. Acho que fizeram esse ditado errado, não é que o burro velho não aprende puxar carroça, na verdade, burro velho não tem mais força pra isso. Já está cansado, fraco e acho que é assim que eu me sinto. Pra puxar carroça?? Não!! Quanto a identificar os amigos. *RMA. Gostaria muito de conseguir selecionar os Amigos e os amigos, mas basta alguém me acenar com um “ossinho” na mão, pronto. Acabou a Lu selecionadora. Síndrome de cachorro vira latas. Nélson Rodrigues criou essa teoria que depois fora “adaptada” ou não para a psicologia e eu então acabei me descobrindo uma “Caramelo” de primeira. Daquelas bem "pulguentinhas", que andam pra cima e pra baixo e abanam o rabinho pra qualquer um. Agora já não sei se sou um burro velho cansado ou um cachorro Caramelo. Mas… acho que sendo burro velho ou vira latas, sei que vou acabar meus dias “sofrendo” e me confundindo com Amigos e amigos. Vou tentar ter mais cautela, entregar meu coração com mais cuidado e menos intensidade. Se não conseguir… O jeito vai ser, cada vez que eu levar um tombo, usar o ditado que meu querido já falecido pai usava: “Levanta sacode a poeira e dá volta por cima”.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

O Útero que eu amo!

 

Imagem ilustrativa

Acho que todo mundo, ou quase todo mundo tem um lugar onde se sente seguro, confortado e/ou protegido. Acho que esses lugares nos remetem a lembrança do útero. Também tenho o meu lugar assim: Uma nuvem ou melhor: o Nuvem! Nuvem é o nome do meu carro, um Ecosport automático, bancos de couro e teto solar de cor branca. O Nuvem é o "útero" que eu amo. Nele converso comigo mesma, ouço músicas, canto muito alto, e falo...  Falo coisas que estão no recôndito do meu cérebro e também do meu coração. Esse lugar conhece o melhor e o pior de mim, sim… o pior. Acho que todos temos nossos “piores” , aqueles pensamentos imundos, podres e que não mostramos para ninguém. Só mesmo Deus e nós conhecemos. No “Nuvem”, eu me sinto completamente livre! Vejam bem… Minha casa também é útero… mas nela tenho “irmãos”. No Nuvem não… O espaço é somente meu, um oásis no meio do deserto de solidão, onde a melhor companhia sou eu. Amo a minha companhia, aprendi que não preciso de mais ninguém quando estou comigo. Sou a minha melhor amiga e confidente… E sou confiável, desde que sóbria... Por isso parei de beber. Sou leal a mim e leal às coisas que acredito. O Nuvem tem sido ultimamente o lugar onde mais quero estar. Outro dia falava com um amigo sobre essa minha relação com meu carro Nuvem, falei do que sinto em relação a ele e ele ficou pensativo, não sei se achou estranho, não sei se achou anormal… A verdade é que, eu moraria dentro do Nuvem tranquilamente. Suave na nave… Ou melhor: Suave no Nuvem.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

O mal disfarçado de bem.

 




As vezes lemos tantas coisas sobre relacionamento abusivo, que em vez de ficarmos esclarecidas, ficamos mais confusas, principalmente quando o abuso não configura-se por violência física, mas também por outras coisas que estão “escondidas” nas atitudes do abusador ou abusadora. Mas... e quando o abuso se caracteriza pelo excesso de zelo? O outro cuida tanto de você, te cerca de tantas vantagens, carinhos e afetos que você acaba numa situação de obrigatoriedade de retribuição. De comiseração. Será que estou conseguindo ser clara? Conheço pessoas que, sempre que falam em separação ou divórcio, são “bombardeadas” por palavras de afeto, presentes e atos de extremo “amor” que acabam desistindo da ideia de romper com o relacionamento. As "benesses" nunca são solitárias, junto vem uma proibição disfarçada de cuidado e uma reprovação disfarçada de conselho. Palavras que mais parecem uma advertência ou ameaça: Você não encontrará ninguém melhor que eu; Ninguém faria por você o que eu faço; Você é incapaz de perceber meu cuidado. A pressão é tão grande, que a vítima acaba se colocando no lugar do outro. Não raro se culpa por não conseguir "retribuir" a altura tanto "zelo" e dedicação. Quando me deparo com mulheres em situação e abuso, não sendo violência física, raramente dou conselhos, mas não critico nem aponto o dedo, simplesmente acolho para que a mulher entenda o que é carinho e afeto sem interesse e comento, se tiver abertura, que essa atitude do abusador também configura assédio. Velado, mas é, ou existe outra definição para esse tipo de comportamento? E a pergunta principal é: Como sair de um relacionamento desses? E a resposta é: Não sei ao certo, mas talvez fosse, primeiro de tudo, tirando a pele de cordeiro desse lobo.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Ir ou não ir, eis a questão.



Ir ou ficar é uma opção

Ir é opção de quem não ama

Quem ama quer ficar

Quer a porta fechada

Quer estar do lado de dentro

Quem ama fica, mesmo querendo ir

Mas quem ama a si mesmo, vai, mesmo querendo ficar