sexta-feira, 19 de maio de 2023

O mal disfarçado de bem.

 




As vezes lemos tantas coisas sobre relacionamento abusivo, que em vez de ficarmos esclarecidas, ficamos mais confusas, principalmente quando o abuso não configura-se por violência física, mas também por outras coisas que estão “escondidas” nas atitudes do abusador ou abusadora. Mas... e quando o abuso se caracteriza pelo excesso de zelo? O outro cuida tanto de você, te cerca de tantas vantagens, carinhos e afetos que você acaba numa situação de obrigatoriedade de retribuição. De comiseração. Será que estou conseguindo ser clara? Conheço pessoas que, sempre que falam em separação ou divórcio, são “bombardeadas” por palavras de afeto, presentes e atos de extremo “amor” que acabam desistindo da ideia de romper com o relacionamento. As "benesses" nunca são solitárias, junto vem uma proibição disfarçada de cuidado e uma reprovação disfarçada de conselho. Palavras que mais parecem uma advertência ou ameaça: Você não encontrará ninguém melhor que eu; Ninguém faria por você o que eu faço; Você é incapaz de perceber meu cuidado. A pressão é tão grande, que a vítima acaba se colocando no lugar do outro. Não raro se culpa por não conseguir "retribuir" a altura tanto "zelo" e dedicação. Quando me deparo com mulheres em situação e abuso, não sendo violência física, raramente dou conselhos, mas não critico nem aponto o dedo, simplesmente acolho para que a mulher entenda o que é carinho e afeto sem interesse e comento, se tiver abertura, que essa atitude do abusador também configura assédio. Velado, mas é, ou existe outra definição para esse tipo de comportamento? E a pergunta principal é: Como sair de um relacionamento desses? E a resposta é: Não sei ao certo, mas talvez fosse, primeiro de tudo, tirando a pele de cordeiro desse lobo.

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