sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Menina dos Temperos



Nas férias, quando visito familiares em Curitiba, faço questão de, sempre que possível, ir para a cozinha preparar as refeições e outros quitutes para a família. Sem pretensões. Puro prazer! É como se, com esse gesto, eu estivesse querendo dizer: "Amo vocês!" Em 2014, consegui passar as festas de fim de ano com a "parentada" e preparei algumas "comidinhas" para a ceia de Natal e chegada do Novo Ano. Na execução dos pratos salgados, tive a preciosa ajuda da Andréia, irmã da minha cunhada Cláudia, acho que ela vem a ser minha concunhada. Deixe-me falar um pouco sobre a Andréia: Ela é uma menina doce, trabalha como secretária em uma escola de inglês, atleta maratonista e aparenta ter 17 anos. Sempre me pergunto onde ela consegue esconder os outros 17? Como ela faz isso? É uma pessoa linda em todos os sentidos! Na preparação dos "quitutes", era ela, a Andréia que me auxiliava na cozinha cortando os temperos. Tarefa que parece fácil, mas não é. Não da maneira como ela faz: tudo miudinho, em quadradinhos iguaizinhos, com uma perfeição de fazer inveja... Cebolas, tomates, pimentões coloridos, alhos e cheiro verde, tudo, aos poucos, picadinhos, separados e ao alcance das minhas mãos para o uso. Quando cheguei a Macapá, tentei fazer igual a ela. Tentativa em vão. Só então eu parei para pensar na Andréia, no seu ato de cortar os temperos e na importância de tudo isso. Quanta generosidade dessa menina. Pense comigo: Na hora em que as pessoas estão deliciando-se com o prato, ninguém fala: Nossa! Que delícia! Quem picou os temperos? Ou: Hum... Que temperos assimetricamente cortados! Ou quem sabe: Quem foi a "mãozinha de fada" que cortou tudo tão "bonitinho"? Entenderam onde quero chegar? A Andréia com sua preciosa ajuda, só não passou despercebida porque eu e a Cláudia fizemos questão de comentar sobre aquele ato, que considero, aliás, de amor. Não são muitas as pessoas que querem fazer aquilo que a maioria considera "menor" ou que no "servir dos pratos", não será lembrado e exaltado. Poucos são abnegados a esse ponto, ainda mais, sem haver obrigatoriedade. A Andreia poderia simplesmente dizer: Quer que eu lave ou seque as louças? Ou, quem sabe, não fazer nada, afinal, a colaboração nas festas é espontânea. Claro que se alguém não dá aquela "mãozinha" sempre tem um que olhe "torto", inclusive eu...*risos*, mas nada que afete as relações. No nosso dia a dia somos comumente cercados de pessoas que fazem coisas pequenas, mas que sem elas as grandes não aconteceriam. Que tal se passássemos a tratar essas pessoas com mais carinho pensando na grandeza do que elas fazem? Podemos fazer um voto de, a partir de hoje, darmos bom dia ou boa tarde para a zeladora do banco, do nosso trabalho... Podemos sorrir e cumprimentar o gari que está recolhendo nosso lixo e procurar agradecer com doçura cada vez que alguém nos fizer um favor, seja grande ou pequeno. Sei que isso parece "bobo", mas imagine como o mundo pode ser melhor com esses pequenos gestos. Como as refeições e a vida podem ter mais cor e sabor se observarmos as mãos preciosas que "cortam os temperos" no nosso dia-a-dia.

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