segunda-feira, 20 de março de 2017

Queremos... mas podemos?



                                               
Sou adepta do pensamento positivo. Se eu quero, eu posso! Sou determinada e obstinada, quem me conhece, sabe disso. Quando me foco em um alvo, vou em direção a ele e não me desvio nem pra direita nem pra esquerda. Mas aqui, não vou falar desse tipo de “querer” e “poder”. Estive pensando muito na questão do que “queremos” e do que “podemos”. Oras, parece muito descomplicado o raciocínio de que, nós pessoas tidas como livres, morando em um país democraticamente liberal como o nosso, podemos fazer tudo o que queremos desde que isso não prejudique ninguém, claro. É... A ideia parece simples, mas na prática o “buraco é mais embaixo”. Se de um lado temos UM desejo de fazer, de outro lado temos CEM motivos para conter, e somos privados de muitas coisas em nome da moralidade, da ética, do respeito, da decência, do senso de responsabilidade e de mais um monte de coisas que nos limitam. Ás vezes, aquilo que queremos fazer, aos nossos olhos parece simples, mas aos olhos dos outros parece uma coisa extremamente “errada”, digna de um possível julgamento e de uma condenação certa. Existem coisas que, nós mulheres, principalmente as casadas, fazemos e que nos parecem absolutamente inocentes, normais e digamos até saudáveis, mas que são condenadas veementemente por aquelas “senhoras” que não têm coragem de ir à esquina comprar pão sem o consentimento dos seus respectivos “donos”. Então... De novo os dois lados da questão: Se de um lado a mulher tem a vontade de praticar esportes, de trabalhar fora, de ter uma “certa” liberdade, de outro lado tem a maledicência das línguas ferinas e o “sentimento de posse” do companheiro, que acha que tolhendo, proibindo e castrando, estará mantendo-a consigo, não percebendo que, quem ama deixa livre, porque sabe que se a pessoa sair e voltar, volta porque ama e se ama, sabe muito bem o que “quer” e o que “pode” fazer. Mas voltando à questão do que queremos e podemos, deduzo que: todos querem ser livres! Nós gostaríamos de ir trabalhar com roupas leves, principalmente agora que o calor chega às raias do insuportável. Isso é querer. Mas não podemos. Somos obrigados a manter e seguir determinadas regras que exigem que, em alguns ambientes o decoro deve ser mantido e assim, temos que ir trabalhar de terno gravata, blazer, calças compridas, saias longas e coisas assim. Eu concordo que temos que ter regras e segui-las... Imagine um mundo sem regras, possivelmente andaríamos nus ainda, sem contar que ainda viveríamos num planeta com pouquíssimo desenvolvimento em todos os sentidos. Ontem, conversava com meu filho adolescente exatamente sobre isso. Falava a ele que, na vida, temos regras e leis e são essas regras que fazem com que tenhamos hora pra tudo. Temos horário para o trabalho, para a escola, para o médico e por aí vai. Nosso corpo nos regula e estabelece horários programados para ele mesmo. As regras e imposições, infeliz ou felizmente são necessárias, porque a maioria dos seres humanos não tem responsabilidade para fazer as coisas sem que alguém esteja cobrando, sem que haja um relógio ponto marcando a sua chegada e a sua saída, ou um chefe determinando o que precisa ser executado. Assim, queremos ser livres e fazer o que “der na telha”, mas não podemos, temos contas pra pagar, temos que garantir o nosso “pão de cada dia”, que crescer profissionalmente e isso só se faz com determinação, estudo e disciplina, ou seja, com o cumprimento das regras e horários a nós impostos. Aquela história de “woodstok”, de “hippies” que fazem o que querem, na hora que querem e do jeito que querem e que dizem poder tudo, não existe. Esse foi um sonho ou um pesadelo e a história e os dados estatísticos provam isso, já que temos inúmeros filhos do movimento jogados por aí. Ou seja, seus pais podiam tanto, podiam tudo, inclusive fazê-los sem um pingo de responsabilidade. Isso prova que, querer não é poder. Não podemos e não devemos fazer tudo o que queremos, essa é a verdade, mas não porque a nossa vizinha fofoqueira e mal amada está de plantão, ou porque nossos colegas que são infelizes podem nos criticar, ou porque aquela “amiga” invejosa, mal humorada e “feia” está sempre pronta para comentar nossas atitudes e jogar a primeira pedra bem na nossa cabeça, mas porque somos conscientes que todo ato gera uma consequência, toda ação uma reação e que se optarmos por fazer qualquer coisa, temos que estar preparados para suportarmos o peso do ato, ou, conviver tranquilamente com a nossa consciência que, se não nos acusa, também não nos defende. Lembrando que, muitas vezes deixamos de fazer e nos arrependemos também. É um risco que sempre vamos correr. Importante mesmo é que podemos escolher ser bons e honestos, sobretudo conosco mesmos, podemos ser íntegros, podemos ser otimistas, generosos, podemos ser caridosos. Em minha opinião, eu posso me permitir, se eu quiser, fazer coisas que pareçam estranhas aos outros: posso acordar um dia mais tarde sem dar explicação a ninguém, posso aceitar doce de quem eu não conheço, conversar com estranhos na rua, posso me divertir fazendo coisas que parecem ridículas, posso contar piada na copa, posso gargalhar quando me aprouver, posso me colocar em sintonia com as minhas outras possibilidades de ser. Posso fazer tudo isso e dormir tranquilamente, usando para os que me criticam a “Filosofia da Vaca”, ou seja: estou cagando e andando para o que você pensa. Sabe por quê? Porque isso eu posso: posso ser feliz, independente das pessoas permitirem ou não.

Isso é querer e poder!

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