Sou adepta do pensamento
positivo. Se eu quero, eu posso! Sou determinada e obstinada, quem me conhece,
sabe disso. Quando me foco em um alvo, vou em direção a ele e não me desvio nem
pra direita nem pra esquerda. Mas aqui, não vou falar desse tipo de “querer” e
“poder”. Estive pensando muito na questão do que “queremos” e do que “podemos”.
Oras, parece muito descomplicado o raciocínio de que, nós pessoas tidas como
livres, morando em um país democraticamente liberal como o nosso, podemos fazer
tudo o que queremos desde que isso não prejudique ninguém, claro. É... A ideia
parece simples, mas na prática o “buraco é mais embaixo”. Se de um lado temos
UM desejo de fazer, de outro lado temos CEM motivos para conter, e somos
privados de muitas coisas em nome da moralidade, da ética, do respeito, da
decência, do senso de responsabilidade e de mais um monte de coisas que nos
limitam. Ás vezes, aquilo que queremos fazer, aos nossos olhos parece simples,
mas aos olhos dos outros parece uma coisa extremamente “errada”, digna de um
possível julgamento e de uma condenação certa. Existem coisas que, nós
mulheres, principalmente as casadas, fazemos e que nos parecem absolutamente
inocentes, normais e digamos até saudáveis, mas que são condenadas
veementemente por aquelas “senhoras” que não têm coragem de ir à esquina
comprar pão sem o consentimento dos seus respectivos “donos”. Então... De novo
os dois lados da questão: Se de um lado a mulher tem a vontade de praticar
esportes, de trabalhar fora, de ter uma “certa” liberdade, de outro lado tem a
maledicência das línguas ferinas e o “sentimento de posse” do companheiro, que
acha que tolhendo, proibindo e castrando, estará mantendo-a consigo, não
percebendo que, quem ama deixa livre, porque sabe que se a pessoa sair e
voltar, volta porque ama e se ama, sabe muito bem o que “quer” e o que “pode”
fazer. Mas voltando à questão do que queremos e podemos, deduzo que: todos
querem ser livres! Nós gostaríamos de ir trabalhar com roupas leves,
principalmente agora que o calor chega às raias do insuportável. Isso é querer.
Mas não podemos. Somos obrigados a manter e seguir determinadas regras que
exigem que, em alguns ambientes o decoro deve ser mantido e assim, temos que ir
trabalhar de terno gravata, blazer, calças compridas, saias longas e coisas
assim. Eu concordo que temos que ter regras e segui-las... Imagine um mundo sem
regras, possivelmente andaríamos nus ainda, sem contar que ainda viveríamos num
planeta com pouquíssimo desenvolvimento em todos os sentidos. Ontem, conversava
com meu filho adolescente exatamente sobre isso. Falava a ele que, na vida,
temos regras e leis e são essas regras que fazem com que tenhamos hora pra
tudo. Temos horário para o trabalho, para a escola, para o médico e por aí vai.
Nosso corpo nos regula e estabelece horários programados para ele mesmo. As
regras e imposições, infeliz ou felizmente são necessárias, porque a maioria
dos seres humanos não tem responsabilidade para fazer as coisas sem que alguém
esteja cobrando, sem que haja um relógio ponto marcando a sua chegada e a sua saída,
ou um chefe determinando o que precisa ser executado. Assim, queremos ser
livres e fazer o que “der na telha”, mas não podemos, temos contas pra pagar,
temos que garantir o nosso “pão de cada dia”, que crescer profissionalmente e
isso só se faz com determinação, estudo e disciplina, ou seja, com o
cumprimento das regras e horários a nós impostos. Aquela história de “woodstok”,
de “hippies” que fazem o que querem, na hora que querem e do jeito que querem e
que dizem poder tudo, não existe. Esse foi um sonho ou um pesadelo e a história
e os dados estatísticos provam isso, já que temos inúmeros filhos do movimento
jogados por aí. Ou seja, seus pais podiam tanto, podiam tudo, inclusive
fazê-los sem um pingo de responsabilidade. Isso prova que, querer não é poder.
Não podemos e não devemos fazer tudo o que queremos, essa é a verdade, mas não
porque a nossa vizinha fofoqueira e mal amada está de plantão, ou porque nossos
colegas que são infelizes podem nos criticar, ou porque aquela “amiga”
invejosa, mal humorada e “feia” está sempre pronta para comentar nossas
atitudes e jogar a primeira pedra bem na nossa cabeça, mas porque somos
conscientes que todo ato gera uma consequência, toda ação uma reação e que se
optarmos por fazer qualquer coisa, temos que estar preparados para suportarmos
o peso do ato, ou, conviver tranquilamente com a nossa consciência que, se não
nos acusa, também não nos defende. Lembrando que, muitas vezes deixamos de
fazer e nos arrependemos também. É um risco que sempre vamos correr. Importante
mesmo é que podemos escolher ser bons e honestos, sobretudo conosco mesmos,
podemos ser íntegros, podemos ser otimistas, generosos, podemos ser caridosos.
Em minha opinião, eu posso me permitir, se eu quiser, fazer coisas que pareçam
estranhas aos outros: posso acordar um dia mais tarde sem dar explicação a
ninguém, posso aceitar doce de quem eu não conheço, conversar com estranhos na
rua, posso me divertir fazendo coisas que parecem ridículas, posso contar piada
na copa, posso gargalhar quando me aprouver, posso me colocar em sintonia com
as minhas outras possibilidades de ser. Posso fazer tudo isso e dormir
tranquilamente, usando para os que me criticam a “Filosofia da Vaca”, ou seja:
estou cagando e andando para o que você pensa. Sabe por quê? Porque isso eu
posso: posso ser feliz, independente das pessoas permitirem ou não.
Isso é querer e poder!
Isso é querer e poder!
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