segunda-feira, 20 de março de 2017

Amo o Amapá e Sou Bairrista Sim, e Daí?

Vista aérea da Fortaleza de São José de Macapá
Por do Sol no Monumento Marco Zero do Equador
Quando cheguei a Macapá e visitei pela primeira vez o trapiche da Beira Rio, nessa noite eu disse a mim mesma: É aqui que eu quero “fincar minhas raízes”. Sempre digo que fui "enfeitiçada" pelo Rio Amazonas! Quando fiz amizades e passei a conhecer as coisas daqui, me apaixonei definitivamente pelo Amapá. As cores, os sabores, a música, a cultura... tudo... TUDO me fascinou! Aqui, meu filho que era menino virou homem. Os outros cresceram e se conheceram por gente aqui, em meio a vatapás, camarões, açaí e aos sons das músicas regionais. Eu aprendi a fazer algumas delicias do norte, aprendi a dançar o brega, “mal”, e até a arriscar alguns passinhos do Marabaixo. Não posso me esquecer que me encantei pelo Museu Sacaca e pelas noites na UNA, (União dos Negros do Amapá), com o melhor da música amapaense, na companhia de amigos e do sabor da gengibirra. Os pratos regionais me instigam a memória olfativa. A maniçoba, o tacacá, o pato no tucupi, o risoto... São sabores e aromas que sempre me remetem às lembranças de situações e posso facilmente aliar uma delícia a momentos felizes ou não.
E as pessoas então? Amo as pessoas daqui! Gente humilde. Gente simples. Gente guerreira. Gente!
Hoje me sinto mais amapaense que muitos nativos daqui. Conheço inúmeras pessoas, inclusive amapaenses que criticam, blasfemam e só sabem reclamar desse lugar. Ver um amapaense falar mal da sua terra é uma coisa que me irrita profundamente, assim como me revolta pessoas que, assim como eu vieram de fora, ganham seus salários aqui e falam aos quatro ventos que odeiam esse lugar. Oras... Porque não vão embora então? Vão procurar os horizontes da sua terra natal, no seu habitat natural. Vão para Curitiba deliciarem-se com aquela terra fria de pessoas geladas, ou andar de terno e gravata no infernal metrô lotado de Sampa ou quem sabe, desviarem-se de bala “perdida” nos morros do Rio, ou ainda, perder-se em meio a arranha céus nas grandes cidades completamente poluídas. Nota-se que quem mais fala mal daqui são pessoas que vieram para cá "com uma mão na frente e outra atrás", e que nas suas cidades, não puderam desfrutar do melhor que ela tem a oferecer. Sim porque Curitiba é linda, limpa, tem parques maravilhosos e lugares incríveis para se passear, São Paulo com seus arranha céus, tem concentrada no seu território a cultura do mundo todo e o Rio... Ah o Rio, que espetáculo de tudo, uma das maravilhas do mundo com aquele Cristo o abraçando! Mas muitas pessoas que aqui estão, não conseguiram seu espaço por lá e chegaram aqui, fizeram a vida, ganharam dinheiro e hoje, fazem questão de levarem essas “divisas” para seus estados de origem, se negando na maioria das vezes, a pagar até o IPTU que serve para melhorar o lugar onde vivem. Pessoas que não conseguem e nem querem apreciar os lugares lindos que temos, não enxergam que moramos em um dos lugares mais preservados do planeta e que somos ricos daquilo que o resto do mundo sente falta. Pessoas que nunca foram à Cachoeira de Santo Antonio, nunca pescaram nos nossos rios, nunca pisaram em nenhuma cidade do interior, porque estão muito ocupadas em trabalhar para poderem viajar para os “seus” lugares, seus estados, suas terras tão “gentis” que sequer lhes pode oferecer um emprego vantajoso e condições de vida digna. Não defendo só o Amapá, morei em vários estados e sempre defendi com "unhas e dentes" o lugar onde estava morando e de onde era tirado o nosso sustento. Acredito que esse é o nosso dever, enquanto pessoas moradoras de qualquer lugar. Temos que cuidar proteger e zelar pelo pedaço de chão que estamos pisando. Penso também, que temos a obrigação de nos envolvermos em projetos sociais, na vida da comunidade, ser parte de um todo. Voto no estado em que vivo e na cidade em que moro porque quero ter o direito de reclamar e reivindicar quando os políticos não fizerem aquilo a que se dispuseram. Pago meus impostos. Posso cobrar direitos, porque sou uma cumpridora dos meus deveres. Não importa o lugar onde estamos, somos residentes do planeta Terra e onde quer que coloquemos a planta do nosso pé, devemos considerar um lugar sagrado. Se você conseguir pensar dessa maneira, irá agradecer ao Grande Criador pela oportunidade de estar onde você está e certamente vai poder dizer como eu: Sou bairrista sim e daí?
Se você tiver interesse em saber mais sobre o Amapá, nossas belezas e nossa tranquilidade, deixe seu comentário com suas perguntas, bem como seu email e terei o maior prazer em te falar sobre as coisas daqui.
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