segunda-feira, 3 de junho de 2024

Avesso ImPerfeito



Estou aprendendo a bordar meu amor. 

Venha ver.

Alguém me disse, que o avesso do bordado tem que ser perfeito.

Não no paninho do meu bastidor!

O avesso do meu bordado é como enxergo a vida: Bem imperfeito. 

No avesso, estão meus erros, meus nós. 

Lá estão minhas histórias que não deram certo. Àquelas, sabe, que tiveram final infeliz.

No baú do avesso, estão minhas coisas “tortas”.

Àquelas que quero esconder, até de mim.

Meu amor, se queres saber dos meus segredos, não indague de ninguém...

Simplesmente, olhe o meu avesso. 

Do meu lado bonito, todo mundo dá notícias. 

Venha meu amor, conheça meus emaranhados. 

Não tenha medo. Perceba meus nós. 

Minhas pontas soltas. Pode olhar. Pode tocar. 

Pra você eu mostro. Você diz que me ama.

Você sabe o quanto meu avesso foi importante na construção do que as pessoas gostam de ver hoje.

Meu avesso fez surgir e brilhar os pontos trabalhados.

Vem amor, olha lá no lado direito, vês o desenho colorido graciosamente formado? Agora, é o que importa.

Olha..  É um paninho meu amor!

Um paninho bordadinho com florzinhas... 

Um paninho, para enfeitar a prateleira do seu coração.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Amigos e amigos

 


Amigos e amigos

Tenho vivido experiências tristíssimas com amigos. Pessoas que eu considerava Amigos e agora eu vejo que eram apenas amigos. Eu sempre tive muita dificuldade em fazer essa distinção, mas agora, depois de “velha” parece que a ficha está caindo para mim. Vivo num mundo que acho que só existe eu. Acredito em Papai Noel, fada, gnomos e em todas as pessoas que se aproximam de mim e dizem que são meus amigos. Sempre sofro com isso. Apanho e não aprendo. Minha mãe fala que eu pareço ‘mulher de malandro”, eu sei que essa frase é horrível… Eu sei… É sexista e normaliza a violência doméstica, mas minha mãe fazia um paralelo às minhas turras com as “amigas”… Acho que na verdade eu toda vida fui assim. Agora, só agora, depois de “véia”, talvez eu esteja criando vergonha na cara. Talvez. Minha mãe é a rainha dos ditados. Ela diz que: “burro velho não aprende a puxar carroça.” Hoje pensei muito sobre isso… Não sobre as amigas, sobre o burro mesmo. Acho que fizeram esse ditado errado, não é que o burro velho não aprende puxar carroça, na verdade, burro velho não tem mais força pra isso. Já está cansado, fraco e acho que é assim que eu me sinto. Pra puxar carroça?? Não!! Quanto a identificar os amigos. *RMA. Gostaria muito de conseguir selecionar os Amigos e os amigos, mas basta alguém me acenar com um “ossinho” na mão, pronto. Acabou a Lu selecionadora. Síndrome de cachorro vira latas. Nélson Rodrigues criou essa teoria que depois fora “adaptada” ou não para a psicologia e eu então acabei me descobrindo uma “Caramelo” de primeira. Daquelas bem "pulguentinhas", que andam pra cima e pra baixo e abanam o rabinho pra qualquer um. Agora já não sei se sou um burro velho cansado ou um cachorro Caramelo. Mas… acho que sendo burro velho ou vira latas, sei que vou acabar meus dias “sofrendo” e me confundindo com Amigos e amigos. Vou tentar ter mais cautela, entregar meu coração com mais cuidado e menos intensidade. Se não conseguir… O jeito vai ser, cada vez que eu levar um tombo, usar o ditado que meu querido já falecido pai usava: “Levanta sacode a poeira e dá volta por cima”.